Caso de Uso – Fluxo Principal

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Como já vimos no post sobre O que é Caso de Uso, no escopo de um caso de uso podemos ter três tipos de fluxos (ou cenários): Fluxo Principal, Fluxo Alternativo e Fluxo de Exceção.

Sempre teremos somente um Fluxo Principal, e poderemos ter zero ou mais fluxos alternativos, e zero ou mais fluxos de exceção.

Entendo o Fluxo Principal

O Fluxo Principal, culturalmente também é chamado de Caminho Feliz, Fluxo Básico, Fluxo Ótimo, ou Fluxo de Sucesso.

/* Poucos profissionais sabem, mas o fluxo principal tem, culturalmente, o apelido de “caminho feliz” pois acredita-se que este fluxo é feito para não dar erro. Entende-se que se o usuário seguir todo o fluxo principal vai dar tudo certo no uso da funcionalidade, mas se o usuário alterar um parâmetro sequer, aí tudo pode mudar… */

fluxo-principal-caso-de-uso

O Fluxo Principal é a maneira “default” que o ator utilizará a funcionalidade, ou seja, é o que ele tentará fazer primariamente sempre que utilizar a funcionalidade.

Este fluxo Contém o passo a passo da execução da funcionalidade de maneira bem sucedida, detalhando o que deverá ser percorrido para que se atinja o objetivo primário do uso da funcionalidade.

Podemos entender também como o objetivo principal do uso da funcionalidade.

Quando na especificação de um caso de uso, geralmente surgem dúvidas sobre como eleger o fluxo principal em meio às possibilidades de utilização da funcionalidade pelo usuário.

Realmente é um pouco abstrato isso, mas quando acostumamos fica mais tranquilo de identificar qual fluxo será o principal. Basta pensar no objetivo principal da funcionalidade que a resposta aparece.

Exemplos na vida real

O Sr. Paulo quer ir rápido para o Aeroporto. Esse é o objetivo principal do Sr. Paulo. O Sr. Paulo tem três opções de transporte para chegar até o Aeroporto: Carro, Ônibus ou Bicicleta.

Se o Sr. Paulo quer chegar rápido, então ele deve utilizar o Carro como sua principal forma de transporte (no mundo do Sr. Paulo não há congestionamento de veículos), e ter como alternativas o Ônibus e a Bicicleta.

Mas no caminho ao Aeroporto o carro pode estragar e atrapalhar a ida do Sr. Paulo ao Aeroporto, mas isso é uma exceção à regra (a regra é que o Sr. Paulo chegará no aeroporto sem ter problemas no Carro).

No contexto acima, ir de Carro é o Fluxo Principal, ir de Ônibus e ir Bicicleta são Fluxos Alternativos. E o Carro estragar, caso isso corra, é um Fluxo de Exceção.

O objetivo principal da funcionalidade deve ser analisado para se entender qual é o fluxo principal. Estou repetindo isso, mas essa é a intenção. 🙂

Vamos a outro exemplo: imaginemos uma empresa que fará pagamento de fornecedores através do seu novo sistema.

Concluiu-se durante o projeto que a empresa terá uma funcionalidade específica com o objetivo de fazer estes pagamentos. Ainda, identificou-se que a forma principal de pagar os fornecedores é via transferência eletrônica de dinheiro (é a forma mais utilizada porque 80% dos pagamentos da empresa são feitos desta forma), mas existem outras duas alternativas: pode-se pagar com cartão de crédito e boleto bancário.

Eventualmente o banco utilizado pela empresa para a realização dos pagamentos para pagamento através desta funcionalidade fica com seu sistema fora do ar, impossibilitando o pagamento; mas isso é uma exceção à regra (a regra é que o pagamento ocorra sem ocorrer problemas com a disponibilidade do sistema do banco).

No contexto acima, pagar o fornecedor com Transferência Eletrônica de Dinheiro é o Fluxo Principal, pagar o fornecedor com Cartão de Crédito e pagar fornecedor com Boleto Bancário são Fluxos Alternativos, e o pagamento não ser possível devido a problemas com o sistema do banco utilizado no pagamento é um Fluxo de Exceção.

Como isso acontece na especificação do sistema?

Vejamos o diagrama de caso de uso abaixo:

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Ao lado temo um diagrama, onde um ator com o papel de Analista de Departamento Pessoal pode executar dois casos de uso (UC003 e UC004).

O UC004 possui como objetivo consultar férias de um empregado.

Vejamos o conteúdo deste Caso de Uso, mostrando os detalhes do seu Fluxo Principal

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No UC004 temos quatro fluxos, e o Fluxo Principal é o FP01 – Consultar férias agendadas e não consumidas pelo empregado”.

No contexto deste Caso de Uso, este Fluxo Principal foi eleito como principal pois no departamento pessoal da empresa onde o sistema é utilizado, a maioria das consultas por férias na funcionalidade pertinente é de férias agendadas e ainda não consumidas pelo profissional.

A funcionalidade também contempla outras possibilidades, através dos outros fluxos, mas essas possibilidades, estes objetivos, ficaram como secundários por não se tratar do objetivo principal, do comportamento “default” da funcionalidade.

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Concluindo

Pode parecer um pouco subjetivo conceituar o Fluxo Principal, é relativamente sutil a diferença entre um fluxo principal e um fluxo alternativo.

Mas a partir da prática no no dia a dia fica mais claro como eleger este fluxo.

O ideal é sempre pensar no objetivo da funcionalidade, pensar em qual o propósito da funcionalidade no dia a dia da empresa, e ficará menos subjetivo perceber qual é o objetivo principal.

Para entender melhor o que é um fluxo alternativo veja Caso de Uso – Fluxo Alternativo.

Para entender melhor o que é um fluxo de exceção veja Caso de Uso – Fluxo de Exceção.

Grande abraço!

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